segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A cachaça é do Brasil e a tequila é do México


Ligadas diretamente às culturas do Brasil e do México, a cachaça e a tequila agora terão proteção plena de propriedade e qualidade na comercialização nos dois países. Acordo assinado pelo presidente Michel Temer reconhece as duas bebidas como indicações geográficas e produtos distintivos dos dois países.

O acordo estabelece que toda bebida vendida no Brasil com o nome de tequila será de fabricação mexicana, assim como toda cachaça vendida no mercado mexicano deverá ter sido fabricada no Brasil.

Desde 2015, Brasil e México fazem tratativas sobre a proteção recíproca da cachaça e da tequila na relação bilateral. Com a assinatura do acordo, a qualidade e a procedência das bebidas nos dois países serão atestadas conforme procedimentos tradicionais e passarão a ser controlados e supervisionados pelas autoridades de cada país.

As tratativas estavam em andamento há alguns anos, mas a partir de junho de 2014 o processo recebeu atenção do governo, a partir da renovação de um convênio firmado entre o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) e o Conselho Regulador de Tequila (CRT).

Segundo o Ibrac, as exportações de cachaça não passam de 1% do volume produzido e isto deve estimular o setor a aumentar os investimentos no mercado mexicano. Além disso, o acordo também deve impedir o uso da denominação "cachaça" por produtores de outros países.

Em 2015, o México exportou mais de 180 milhões de litros para mais de 120 países, enquanto o Brasil exportou pouco mais de sete milhões de litros do destilado para 61 países. Deste total, apenas 0,54% do exportado foi para o México, de acordo com o Ibrac.

Para o presidente da Confraria Paulista da Cachaça, Alexandre Bertin (foto), o governo está buscando alternativas para ajudar a área econômica e as exportações de cachaça. “É uma atitude acertada. Esse acordo ajudará os produtores a atingirem outros mercados e a gerar resultados positivos para a cadeia como um todo”.    

MERCADO DA CACHAÇA  

O faturamento do setor cachaceiro alcançou R$ 5,95 bilhões em 2013, quando foram produzidos 511,54 milhões de litros da bebida, de acordo com o Sistema de Controle da Produção de Bebidas da Receita Federal (Sicobe), responsável por controlar a produção das principais empresas formais do setor.

De acordo com o Ibrac, são 40 mil produtores e 4 mil marcas de cachaça no mercado nacional alocadas, principalmente, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais e Paraíba. As micro-empresas representam 99% deste universo.

O Ibrac estima que a capacidade instalada no Brasil é de 1,2 bilhão de litros/ano. A cachaça é a segunda bebida mais consumida no país, perdendo somente para a cerveja, que é uma bebida fermentada. Entre as bebidas destiladas, detém preferência absoluta entre os brasileiros.

Seu consumo é quase cinco vezes maior que o do whisky (348 milhões de litros) e da vodca (270 milhões de litros). O Brasil possui capacidade instalada de produção de 1,2 bilhão de litros anuais, sendo 70% cachaça industrial e 30% cachaça artesanal (alambique).

Outros dados importantes são sobre o aumento das exportações da bebida em 2016. Segundo informações divulgadas pelo Ibrac, as exportações de cachaça cresceram 4,62% em valor e 7,87% em volume, totalizando US$ 13,93 milhões e 8,3 milhões de litros. Mais de 60 países já consomem o “ouro líquido brasileiro”, especialmente Alemanha, EUA e Paraguai.

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