terça-feira, 15 de novembro de 2016

Para onde caminha o turismo brasileiro?

O presidente Vinicius Lummertz destaca que há cinco décadas a Embratur conecta o mundo ao Brasil e aos brasileiros, trazendo desenvolvimento para todas as regiões do País

A Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) está completando 50 anos e festeja o acontecimento com a realização do Fórum “O Futuro do Turismo Internacional – Perspectivas Brasil” e Sessão Solene na Câmara dos Deputados, nos dias 16 e 17 de novembro, respectivamente. Os eventos iniciam um calendário de ações previstas para o próximo ano, que buscam lançar um novo olhar sobre o papel do turismo e da Embratur para o País, alcançando os diferentes públicos de interesse do Instituto.
O tema do fórum é oportuno para discutir o turismo no momento atual, de descrença e insatisfação para o setor. Em recente visita ao Ceará, o diretor de Produtos Nacionais da Operadora CVC, Claiton Armelin, deixou os hoteleiros apreensivos ao informar o baixíssimo índice de vendas para o Ceará na temporada de janeiro. Fortaleza passou da segunda para a quarta colocação no período.
Eliseu Barros, presidente da ABIH-CE
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Ceará (ABIH-CE), Eliseu Barros, disse que o momento é de apreensão, pois para manter a taxa de ocupação, o setor concedeu desconto de até 20% no preço das diárias em relação ao ano passado, bem como intensificou as ações promocionais nos principais polos emissores para atrair turistas e assegurar o nível de emprego. “Precisamos unir forças, iniciativa pública e privada, para revertermos tal situação e evitarmos mais prejuízo para a hotelaria”, disse Eliseu.
BAHIA
Na Bahia não é diferente. O fundador e presidente do Conselho da CVC, Guilherme Paulus, esteve em Salvador para receber uma homenagem da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia (ABIH-BA) pelo Dia do Hoteleiro. Na ocasião, Paulus criticou a forma com a qual o governo do Estado da Bahia tem conduzido o turismo local.
Guilherme Paulus, presidente do Conselho da CVC
Segundo o executivo, “a Bahia é o único Estado brasileiro que tem 10 destinos fortes, mas o governo acabou com o turismo. A prefeitura vem trabalhando, mas o governo do Estado, não. Temos que ter coragem para falar a verdade”, disse Paulus, para uma plateia formada por autoridades, políticos e empresários do turismo da região.  
Paulus foi mais além o criticou a situação do Centro de Convenções de Salvador, que estava fechado para obras emergenciais e desabou. “Pagamos impostos e este dinheiro tem que retornar em melhorias para o setor. “Caso contrário, vamos morrer como está morrendo vagarosamente o destino”. E Paulus alertou: “governo não quebra, mas empresário sim” e pediu que os empresários protestassem na porta do governo. “Se outros fazem isso, por que nós não?”
REVISTA SUPERINTERESSANTE
Para completar o clima que se abate sobre o turismo, uma publicação da revista Superinteressante mostra uma realidade chocante: relatório do World Travel & Tourism Council (WTTC) de 2016 informa que o turismo cresce mais do que a economia global há cinco anos consecutivos, principalmente nos países em desenvolvimento. “Mas o Brasil não está nesse bonde; estamos na casa dos 5 milhões de turistas internacionais desde 1998. Ou seja, se a nossa economia vive uma recessão nos últimos dois anos, o turismo já está assim há 18 anos”.

A revista alerta para outras situações, como a imagem do Brasil no exterior, manchada pelo noticiário negativo: em vez de praias, cachoeiras ou cidades históricas, o que mais se vê lá fora sobre nós tem a ver com violência, crise econômica e desastres como o de Mariana. No Foreign Travel Advice (“conselhos para viagens ao exterior”), uma ferramenta online do governo britânico que analisa cada país em relação à segurança, o Brasil aparece com ‘alto nível de criminalidade’, com menção a arrastões, assaltos com arma de fogo e roubos em caixas eletrônicos”. São citadas também manifestações políticas violentas e risco de zika.

Vista chinesa, um dos pontos mais visitados no Parque Nacional da Tijuca
Outro ponto apresentado pela publicação é a falta de infraestrutura, que  atinge em cheio os parques nacionais, que seguem lindos, mas quase às moscas. “Apesar de o Brasil ter sido considerado pelo Fórum Econômico Mundial como o país com maior potencial turístico em recursos naturais no mundo, nossos 71 parques nacionais receberam 7,1 milhões de visitantes em 2015 – sendo que 2,9 milhões se concentraram no Parque Nacional da Tijuca, encravado na área urbana do Rio de Janeiro. Para comparar: os 59 parques nacionais dos EUA receberam 307 milhões de turistas no mesmo período”.

A retração dos cruzeiros marítimos também foi apresentada. “Em 2010, chegamos a ter 20 navios viajando pela costa brasileira. O número caiu pela metade em 2015 e, para a temporada de 2016, que começa em novembro, míseros seis navios estão confirmados até o momento. Isso porque quase todos os processos que envolvem a realização de um cruzeiro são caros e complicados, desde a aprovação da construção de um porto à contratação do prático (“manobrista de navio”), aquela que talvez seja a profissão mais inflacionada do Brasil, com ganhos que chegam a R$ 300 mil por mês).

Nenhum comentário:

Postar um comentário