quarta-feira, 15 de abril de 2026

WTM Latin America inicia a 14ª edição com foco no turismo regenerativo

O primeiro dia do evento teve encontro inédito de autoridades de turismo da América Latina e Caribe, lançamento de plataforma inovadora da Embratur e Sebrae, premiação dedicada ao afroturismo e uma programação alinhada ao tema central da edição


Solenidade de abertura do WTM Latin America FOTOS: Divulgação
A 14ª WTM Latin America – principal encontro da indústria do turismo na região, foi oficialmente aberta nesta terça-feira (14) na cidade de São Paulo. Fundamentada no tema “Regenerar, Restaurar e Reconectar – Viajar com propósito”, a edição deste ano acontece até o dia 16 de abril no Expo Center Norte, na zona norte paulistana.

A solenidade de abertura reuniu autoridades, lideranças e profissionais do setor. No palco, Bianca Pizzolito, head da WTM Latin America, apontou que o turismo vive uma renovação e sugeriu a ampliação do olhar em relação às transformações. “Temos a tendência de olhar para mudanças como rupturas quando elas são também consequência de movimento e de escuta. A WTM Latin America nunca foi um evento estático, mas um organismo que observa, absorve, se adapta e evolui”, disse.

 

Bianca Pizzolito
Bianca reforçou que o evento é uma plataforma que conecta, provoca, tensiona e abre espaços para que o mercado do turismo se manifeste em sua multiplicidade. “Acreditamos em nosso papel e, neste ano, trouxemos ao palco um grande debate: o turismo regenerativo. Um tema que está em evidência e que, mais do que tendência, é um convite à reflexão, pois não aponta para um único caminho, mas para muitos. E é essa pluralidade que interessa a nós e ao turismo”, pontuou.

OPORTUNIDADES

 

Claudio Della Nina, CEO da RX Brasil, organizadora da feira, ressaltou a importância dos eventos para a geração de oportunidades. “Essa indústria vai muito além de encontros pontuais: ela é uma plataforma de conexões em um ambiente que movimenta a economia, acelera setores e aproxima pessoas criando oportunidades reais. E são as pessoas que dão sentido a tudo isso”, disse, lembrando que a WTM Latin America ocupa um papel especial no portfólio da RX Global.

 

“A WTM Latin America é um ponto de encontro estratégico para toda a indústria de turismo da região. Um espaço onde conteúdo qualificado, inovação e networking se transformam em negócios, parcerias e crescimento. Estamos construindo ambientes que ajudam a moldar o futuro de vários mercados, transformando encontros em oportunidades, ideias em projetos e conexões em resultados”, resumiu.

 

DEFESA DOS OCEANOS

 

Heloísa Schurmann
Como é tradição, a WTM Latin America também trouxe conteúdo inspiracional. A convidada desta edição foi Heloísa Schurmann, pesquisadora, escritora e cofundadora da ONG Voz dos Oceanos, que aliou a vivência de sua família no mar ao trabalho em defesa dos oceanos para abordar a importância do turismo regenerativo, tema da WTM em 2026. Ao longo das décadas, a família realizou três voltas ao mundo e visitou mais de 70 países. Ao notar as transformações pelas quais o turismo passava no decorrer do tempo e os impactos negativos da ação humana na natureza, eles mudaram de postura. De meros observadores, passaram a atuar em defesa dos oceanos.

Na palestra, Heloísa defendeu o turismo regenerativo como alternativa capaz de envolver comunidades, ciência e visitantes na recuperação ambiental. Ao encerrar sua fala, ela apresentou os resultados da expedição realizada pela ONG: mais de 50 lugares visitados, centenas de projetos conectados, toneladas de lixo retiradas de praias e mares em oito países e 730 dias no mar, somando 17.520 horas dedicadas ao futuro do planeta. Diante dos profissionais do setor, ela fez um convite direto à ação: “Eu tenho muita esperança nas pessoas”, afirmou.

 

Além de Gustavo Feliciano, Ministro do Turismo do Brasil, representantes de outros sete países participaram do encontro: Cristian Pos Damás, Diretor Nacional do Turismo (Uruguai); Gloria de Léon, Ministra do Turismo (Panamá); María Paz Lagos, Vice-ministra do Turismo (Chile); Miguel Aguiñiga Rodríguez, Titular da Unidade de Inovação, Sustentabilidade e Profissionalização Turística (México); José María Arrúa - Ministro de Turismo da Província de Misiones (Argentina); Harris Whitbeck, Ministro do Turismo (Guatemala) e Ernest Hilaire, Ministro do Turismo (Santa Lúcia).

 

Ministros do Brasil e de outros países presentes ao evento

TURISMO REGENERATIVO

O turismo regenerativo, tema central desta edição, foi abordado sob diferentes perspectivas em palestras e painéis espalhados pelos espaços de conhecimento.

 

O Transformation Theatre foi palco do painel “Regenerando para reconectar a América Latina”, que reuniu Ana Duék, diretora do portal Viajar Verde; Arvey Granada, Mestre em Marketing e Negócios Digitais; e Jorge Moller, Diretor do programa Global Tourism Sustainable Council.

 

Os especialistas destacaram a necessidade de a América Latina atuar como bloco integrado. “Somos um continente vivo e precisamos reconectar entre nós, viajar mais entre nossos países. Temos um grande potencial para criar uma identidade conjunta e restaurar o valor do encontro humano. Somos um continente maravilhoso e o turismo tem tudo para impactar de modo positivo as populações”, disse Jorge Moller.

 

Ana Duék observou que os latino-americanos estão, cada vez mais se reconectando com o continente e suas riquezas naturais, culturais e ancestrais. “Temos muito a descobrir e a trocar. Somos um continente muito rico. Precisamos, primeiro, restaurar a nossa visão sobre turismo e América Latina e, sobretudo, nossa mentalidade”, disse ela, enfatizando a necessidade de pensar o turismo a partir do destino e seus habitantes.

 

Para Arvey, além dos patrimônios naturais e culturais, a região tem como grande diferencial a hospitalidade de seus povos, que estão sempre de braços abertos. “Somos hospitaleiros. O que precisamos é sentir mais os nossos patrimônios e fortalecer o nosso pertencimento como povos diversos e, ao mesmo tempo, tão iguais. Compartilhamos as mesmas dores e culturas”.

 

Na palestra “Transformando Destinos Turísticos Através da Regeneração”, a presidente e Cofundadora do Instituto Aupaba, Luciana De Lamare, apresentou uma visão franca e desmistificadora sobre a essência e as consequências do turismo regenerativo. “É fundamental ouvir quem está no território que será impactado”, iniciou. Ela chamou a atenção para importância de ter uma visão sistêmica dessa vertente, saindo da lógica mercadológica para entender o território em seus diferentes níveis, necessidades e potencialidades. “Não podemos usar o turismo regenerativo como marketing, mas utilizar-se dele para promover melhorias reais”, adverte.

 

A especialista mostrou que territórios e negócios podem se transformar em experiências inovadoras, sustentáveis e capazes de gerar impacto positivo para comunidades e visitantes. Isso, lembrou a palestrante, passa pelo entendimento da espiritualidade em seu sentido de conexão entre pessoas e propósitos. “A consciência das dores e dos problemas é o primeiro passo para a renovação e conexão”, finalizou.

 

Fricções e intercâmbios entre a academia e o mercado deram o tom do painel “Turismo Regenerativo: discussões e prática”. Sob a mediação de Jaqueline Gil, pesquisador do LETS-UnB, a conversa reuniu os acadêmicos Loretta Bellato, Pesquisadora Adjunta, Swinburne University of Technology; Dr. Cemil Kilic, Diretor, Istanbul Convention and Visitors Bureau; e Thiago Allis, Professor Associado de Lazer e Turismo na Faculdade de Artes, Ciências e Humanidades da EACH – USP.

 

Pioneira no estudo do tema, Loretta destacou que o turismo regenerativo deve catalisar e impulsionar a vida do lugar, refletindo na saúde e bem-estar, e orientou: “A comunidade precisa sempre direcionar as decisões de modo que as intervenções proporcionem integração e alinhamento com os processos naturais”, disse, pontuando que o turismo regenerativo é um movimento global em plena expansão.

 

Jamil ressaltou a importância do turismo para recuperar a história e os valores sociais, culturais e econômicos. “O turismo regenerativo permite que um destino se reposicione por meio de sua história e patrimônios. Para que isso aconteça é imprescindível colocar a comunidade no centro, gerando pertencimento e ocupação dos espaços”, defende.

 

Já Thiago Allis lembrou que é preciso trazer o turismo regenerativo para o dia a dia das empresas e das relações em seus diferentes espaços e laços comunitários. “O Brasil é uma referência em turismo comunitário. O turismo abre muitas possibilidades e caminhos, e precisamos trabalhar para que isso seja feito da melhor maneira possível, gerando riquezas e valorização”.

 

O dia também foi marcado pelo lançamento oficial da “Desbrava”, plataforma criada pela Embratur em parceria com o Sebrae para apoiar a internacionalização do turismo brasileiro e democratizar o acesso de destinos e empresas nacionais de diferentes portes ao mercado turístico internacional. A plataforma reúne capacitação, inteligência de mercado, dados, conteúdos estratégicos e uma comunidade digital, com o objetivo de preparar desde microempreendedores até grandes empresas do trade turístico para atuar de forma qualificada e alinhada no cenário internacional, o que também visa fortalecer a competitividade do Brasil no cenário internacional. 

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